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Duplicação da ERS-118 utiliza tecnologia inédita no Brasil

Equipamento gera economia ao reaproveitar pavimento na recuperação da pista antiga

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A foto destaca a máquina de fragmentação por ressonância em funcionamento na pista antiga da ERS-118, que está sendo duplicada. Boa parte da camada de asfalto já está despedaçada. Pessoas observam ao lado. Um rolo compressor e operários estão ao longe.
Máquina usa alta frequência para fragmentar a camada de concreto, que será reutilizada para compor a base da rodovia - Foto: Júlio Cunha Neto/Daer
Texto: Júlio Cunha Neto

A duplicação da ERS-118, na Região Metropolitana de Porto Alegre, é a primeira obra rodoviária do país a contar com um avançado método de restauração de rodovias pavimentadas. O equipamento, trazido dos Estados Unidos, utiliza tecnologia ressonante para fragmentar blocos de concreto e reaproveitá-los na reconstrução do trecho.

A importação da máquina foi o resultado de pesquisas realizadas pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) em conjunto com a empresa STE - Serviços Técnicos de Engenharia e começou a ser implantada este mês pela construtora Sultepa na restauração da pista antiga da ERS-118, no lote entre os quilômetros 5 e 11 - de Sapucaia do Sul a Cachoeirinha. A fragmentadora opera em alta frequência: é capaz de golpear o pavimento de concreto 44 vezes por segundo, fazendo com que a laje fique em pedaços sem afetar as camadas inferiores.

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Veja a tecnologia de fragmentação ressonante em operação

Máquina atinge o bloco de concreto 44 vezes por segundo, fragmentando o material sem atingir as camadas inferiores da rodovia. Crédito: Divulgação/Daer

“O dispositivo consegue regular a amplitude dos golpes de forma que frature apenas a placa de concreto nos 20 centímetros estabelecidos”, explica o supervisor de obras da Sultepa, Auri Tartari. “Esse material fragmentado se assemelha ao rachão e passa a reforçar a estrutura da rodovia junto com as camadas abaixo, que foram perfeitamente preservadas na ação. Isso nos dá rapidez para implantar o pavimento novo na parte superior.” O engenheiro salienta, também, que o equipamento é comumente usado nos Estados Unidos, Russia, China e na Europa, com destaque para as obras nas autobahns - as famosas rodovias de alta velocidade da Alemanha.

A foto foca no martelo instalado na parte frontal da fragmentadora ressonante, golpeando o pavimento.
Técnica começou a ser aplicada no lote 2 da ERS-118, entre os quilômetros 5 e 11 - Foto: Júlio Cunha Neto/Daer

A fragmentação por ressonância é conhecida, ainda, por diminuir o impacto ambiental e o custo das obras de recuperação de rodovias. De acordo com a coordenadora de projetos da empresa de assessoria técnica STE, Zélia D’Azevedo, a maior vantagem é o reaproveitamento da placa de concreto antiga sem a necessidade de removê-la. “O material normalmente é recolhido a um local de descarte devidamente licenciado, sendo necessária a sua reposição”, detalha. “Se levarmos em consideração que o valor para remover o pavimento é de R$ 100 por metro quadrado, a economia que essa tecnologia gera é considerável.”

De acordo com o diretor-geral do Daer, Rogério Uberti, a metodologia aplicada na restauração da pista antiga da ERS-118 comprova o pioneirismo do departamento na solução de demandas da malha rodoviária estadual. “Junto ao governo do Estado e à Secretaria dos Transportes, estamos empenhados em procurar formas inovadoras de viabilizar nossos projetos prioritários, com o objetivo de otimizar prazos e recursos”, destaca. “No caso da ERS-118, a tecnologia de ressonância vai nos ajudar a acelerar o ritmo da duplicação no lote 2, que está em andamento. Ao mesmo tempo, trabalhamos para encaminhar os demais segmentos o mais breve possível para licitação.”

DAER-RS