Combate ao racismo é foco de evento promovido pelo Comitê de Equidade no Mês da Consciência Negra
Programação contou com reflexões para fortalecer a luta antirracista no ambiente de trabalho
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A palavra falada e cantada teve um único objetivo na tarde desta quinta-feira, 13 de novembro: fortalecer a luta antirracista em todos os âmbitos da sociedade e, principalmente, no ambiente de trabalho. Com este viés, o Comitê de Equidade do Daer promoveu o evento Consciência Negra: qual o meu papel no combate ao racismo? A atividade, que aconteceu no auditório da autarquia, foi alusiva ao mês da Consciência Negra e teve como objetivo debater o racismo e temas transversais, como respeito, inclusão e diversidade.
O secretário de Logística e Transportes, Juvir Costella, prestigiou o evento e felicitou o Daer pela iniciativa. “Meu desejo é que esse debate se externe e seja levado para fora desse auditório. Não basta apenas passarmos a tarde ouvindo palestras e discutindo o tema se isso permanecer entre quatro paredes. Devemos buscar esta conscientização e agir no nosso dia a dia. Todos os dias”, reforçou Costella.
O diretor-geral do Daer, Luciano Faustino, parabenizou o Comitê de Equidade pela iniciativa, ressaltando que o departamento, ao longo dos seus 88 anos, passou por inúmeras transformações. “O Daer está se modificando e ainda vai passar por muitas mudanças e desafios. Um deles é a inserção da diversidade no seu quadro de servidores e servidoras. E essa diversidade deve ser acolhida.” Faustino destacou, ainda, que atividades como essa são fundamentais para relembrar que racismo é crime. “Negar a existência do racismo é propiciar que ele aconteça”, disse.
Ainda na abertura, a coordenadora do Comitê de Equidade do Daer, Lírian Sifuentes, destacou que a atividade foi o primeiro evento oficial do Comitê de Equidade, criado em agosto deste ano no dia do aniversário de 88 anos da autarquia. "Nossa proposta com o comitê é que os membros do grupo se fortaleçam, tenham formações, conheçam os temas, mas também queremos levar esses debates para todos os servidores do Daer, que é o que estamos fazendo hoje”, frisou a coordenadora, que aproveitou o momento para apresentar os membros do Comitê.
Na sequência, foi apresentado um vídeo produzido pela Assessoria de Comunicação do Daer, que levantou o questionamento: Como seria um mundo sem racismo? Servidoras e servidores negros do departamento responderam como seria este mundo ideal com base na sua história e nas lutas que travam diariamente.
COMO SERIA UM MUNDO SEM RACISMO?
Material produzido pela Assessoria de Comunicação do Daer/RS Crédito: Daer RS
Reflexões antirracistas em fala e canto
A programação teve a atração musical 50 Tons de Pretas, com as cantoras e instrumentistas Dejeane Arruée e Graziela Pires, acompanhadas do músico Thomas Werner. No repertório, canções que denunciam o racismo e celebram a herança negra. Com as músicas “Cota não é esmola”, “A palma da minha mão é preta” e “Voa”, o público que lotava o auditório do Daer se embalou e refletiu sobre os manifestos em forma de canção.
A tarde também contou com duas palestras. “Racismo institucional e políticas públicas na luta antirracista” foi ministrada pela diretora do Departamento de Igualdade Étnico-Racial da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado do RS, Sanny Figueiredo, que também conduziu a formação em letramento racial do Comitê no mês de outubro. Sanny trouxe um breve panorama das ações do Departamento de Igualdade Étnico-Racial do Governo do Estado, além de questões históricas e estudos que propiciaram a construção e perpetuação do racismo ao longo do tempo. “Temos que entender os porquês, os significados e origens das palavras. Quando se sabe o porquê se entende como o racismo se apresenta no cotidiano.” Além disso, a diretora destacou a importância do reconhecimento que o racismo existe e que é estrutural, sendo perpetuado no cotidiano. Reconhecer para combater. “Precisamos equalizar os processos entre brancos e negros. Não é questão de dar vantagem, mas sim, equilibrar, promover a igualdade”, continuou.
O escritor, professor e advogado Fabiano Machado da Rosa falou sobre “Práticas antidiscriminatórias: novas relações no ambiente de trabalho”. Fabiano é autor dos livros “Gestão de Crise e Diversidade” e “Compliance antidiscriminatório: lições práticas para o mundo corporativo”. O advogado ressaltou a importância do debate sobre o racismo dentro de um órgão público. “Quando falamos para um órgão público falamos de democracia, direitos e responsabilidade, de todos e para todos.” Durante a sua explanação, Fabiano propôs algumas provocações. Para as pessoas negras, trouxe a importância de ser consciente, ter orgulho e conhecer a história. Para as pessoas brancas, propôs ouvir os relatos e entender as lutas dos colegas negros. “Só compreende a dor e a luta quem tem a capacidade empática de se colocar no lugar da pessoa negra, no lugar do outro”, ressaltou.