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Anfíbios são as principais vítimas de atropelamentos na Rota do Sol

Estudo contratado pelo Daer deve propor medidas para reduzir essas ocorrências

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Uma perereca verde está parada em cima de uma vegetação.
Perereca-castanhola é uma das espécies ameaçadas de extinção que vivem na Reserva Biológica Estadual Mata Paludosa - Foto: Divulgação Daer
Texto: Liana Ramos Carvalho

Aproximadamente 90% dos atropelamentos de animais silvestres da Rota do Sol (ERS-486) atingem anfíbios. Essa é uma das conclusões do estudo de monitoramento de fauna nativa contratado pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), por meio da Coordenadoria Técnica de Meio Ambiente (CTMA). A pesquisa tem como foco o trecho da rodovia que passa pela Reserva Biológica Estadual Mata Paludosa e deve resultar na implantação de medidas que reduzam os acidentes no local.

“A reserva é uma área de transição entre os ambientes de encosta e baixada, com florestas que se formam sobre solos úmidos em conjunto com vegetação de banhados. A região é de fundamental importância para a conservação de espécies da fauna, em especial de anfíbios e aves que só existem nesse tipo de ambiente”, explica o biólogo da CTMA, Luiz Carlos Leite. O profissional diz que de outubro do ano passado a março deste ano forçam realizadas seis campanhas de monitoramento com duração de sete dias cada.
Nesse período, houve a averiguação dos animais mortos, relacionados por espécie, e das passagens de fauna - que são galerias construídas sob a estrada para que os animais possam atravessar com segurança. Também foram instaladas armadilhas para captura de anfíbios, com o objetivo de avaliar quais espécies conseguem passar ilesas pela rodovia.

O levantamento apontou que três espécies de anfíbios integram o grupo de animais ameaçados de extinção listados pelo Decreto Estadual 51.797 de 2014. É o caso da perereca-castanhola (Itapotihyla langsdorffii), perereca-risadinha (Ololygon rizibilis) e perereca-macaca (Phyllomedusa distincta). “As duas primeiras são consideradas criticamente em perigo e a última em perigo, de acordo com a lista da fauna ameaçada do Estado”, diz Leite.

A partir dessas conclusões, serão realizadas propostas para eliminar ou atenuar os danos provocados pelos atropelamentos. “Nos próximos dias, devemos receber um relatório completo, que deve servir como base na definição de medidas para redução dos atropelamentos, como a implantação de travessias aéreas e novas passagens subterrâneas”, adianta Leite.

O trabalho coordenado pelo Daer é executado pela empresa Biolaw, contratada via licitação, e conta com investimento de R$ 336 mil provenientes da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).

DAER-RS